.::. Conheca a Historia do Cambuci .::.

 

 

CURIOSIDADE… O QUE SIGNIFICA "CAMBUCI" ?

 

O termo tupi-guarani CAMBUCI designa a árvore característica desta região ancestral, e significa em bom português "pote", cujo fruto azedinho, que era muito apreciado em beber junto com aguardente, tem um formato de pote. Trata-se de uma árvore nativa da MATA ATLÂNTICA e atualmente está ameaçada de extinção. 

 

Ela se encontra nessa situação pois foi fortemente explorada por ter uma madeira de excelente qualidade na fabricação de ferramentas e utensílios básicos, e ainda ao desmatamento em conseqüência do crescimento urbano da própria cidade. 

 

Pelo fato de seu fruto - o cambricique - ter o formato de um pequeno pote, é que o atual LARGO DO CAMBUCI, no passado, era chamado de LARGO DO POTE.

 

PROVAVELMENTE O PRIMEIRO BAIRRO DE SÃO PAULO

 

Desde o longínquo século 16, o Cambuci já era um conhecido caminho de tropeiros e viajantes que iam e vinham de Santos - utilizando o antigo Caminho do Mar - que entravam na cidade pela baixada da Glória, e passavam pelo Córrego do Lavapés. Isso o determina como um dos bairros mais antigos da cidade de SÃO PAULO.   Justamente o córrego LAVAPÉS leva este nome por ter sido, na época, o local onde os viajantes lavavam os pés e descansavam por algum tempo, dando comida e água aos animais de carga antes de entrarem na cidade propriamente dita.

 

Era muito importante o ato de "lavar os pés", de se banhar, visto que, depois de um longo e suado percurso, os mesmos haveriam de entrar na igreja, respeitosamente limpos. No passado, este era um limite considerado a divisa entre a cidade urbanizada e a zona rural, e o marco divisório disso era o córrego do Lavapés. Hoje em dia esse córrego, que não existe mais, é a própria Rua dos Lavapés.

 

Ainda nos tempos de "São Paulo de Piratininga", aos poucos, principalmente a partir de 1850, desenvolveram-se lentamente ao redor da "velha trilha de tropeiros" um pequeno comércio e algumas chácaras, sítios e fazendas.

 

O bairro do CAMBUCI surgiu de uma grande chácara - no caso, Chácara da Glória - e foi oficialmente criado em 19 de Dezembro de 1906, pela Lei 1040 B. O distrito de Cambuci tem aproximadamente 27.000 habitantes e é composto pelos bairros de Vila Deodoro, Mooca (um pedaço) e Cambuci - ao todo tem uma área de 3,9 km2.


O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO-COMERCIAL DO CAMBUCI 

 

A partir da construção do Museu do Ipiranga (Museu Paulista), em 1890, e depois a linha de bonde que atravessava o Cambuci, ligando o centro da cidade ao museu, valorizou-se muito os terrenos e chácaras da região que começaram a ceder espaço a exploração imobiliária, que embrionariamente levou ao desenvolvimento de todo o comércio da região.

 

A riqueza produzida pelo grande cultivo do café, sobretudo com o auge da produção em 1870 no oeste paulista, atraiu a vinda de imigrantes europeus - a maioria deles italianos - para substituir a mão-de-obra (escrava) negra.

 

Bairros como o Cambuci, o Brás e a Mooca acolheram grandes levas desses imigrantes que se alojaram em pensões e vilas próximas. Por volta desta época, então começou a forte ampliação do limite urbano do CAMBUCI, com a abertura de ruas e a construção de casas. Várias fábricas também começaram a ser instaladas na região, como a Chapeos Ramenzoni, a Nadir Figueiredo e a Villares.


UM GRANDE PALCO DE REVOLUÇÕES SÓCIO-POLÍTICAS 

 

Logo no início do século passado, as manifestações operárias começaram a agitar o CAMBUCI. Pelo fato desta região abrigar um grande contingente de imigrantes italianos, historiadores dizem que o Cambuci é o grande berço do anarquismo em São Paulo. E o local de encontros políticos (clandestinos muitas vezes) da época era o Cine-teatro Guarani. Eram imigrantes que não se fixaram definitivamente nas regiões produtoras de café do oeste paulista e que se deslocaram para a capital, onde passaram a exercer várias funções. Enquanto operários, os italianos fizeram implacáveis críticas em relação a exploração patronal, sendo eles responsáveis pela conscientização política da classe trabalhadora dentro dos princípios anarquistas.

 

Aos operários italianos atribui-se ainda a responsabilidade pela eclosão, bem no início da década do século 20, das primeiras grandes greves em São Paulo, normalmente comandadas pelo Círculo Socialista. Essa organização teve origem na transformação da Liga Democrática Italiana, criada em 1900 e que reunia anarquistas, socialistas e republicanos. De seus quadros dirigentes participava até mesmo o futuro industrial Dante Ramenzoni. O porta-voz do Círculo era o jornal Avanti.

 

A fábrica de chapéus Ramenzoni foi fundada no Cambuci, em 1894, pelo italiano Dante Ramenzoni, que emigrara de Parma seis anos antes, sendo que a produção chegou ao auge nos anos 50. Seus 1800 operários produziam 6000 unidades por dia. Com o desuso de chapéus entre homens, a indústria entrou em decadência e os Ramenzoni passaram a investir na produção de camisas (Bantan) e de papel, visto que era necessário se produzir as embalagens para a comercialização do produto final. Em 1972, quando a fábrica foi vendida, a família mandou confeccionar 25 chapéus de pele de castor e os distribuiu como lembrança aos amigos mais próximos. 


DIAS DE HORROR E PÂNICO NO CAMBUCI !

 

Liderados pelo general Isidoro Dias Lopes, durante o episódio da REVOLUÇÃO DE 1924, rebeldes apossaram-se da IGREJA DA GLÓRIA, que fica no ponto mais alto da região, de onde era possível ver o movimento das tropas na cidade.  Foram vinte e três dias de pânico total entre os moradores do CAMBUCI e região, quando os homens de Dias Lopes, que queriam a queda do então presidente da república, Artur Bernardes, eleito de forma fraudulenta, enfrentaram as TROPAS LEGALISTAS.

 

Juntamente com os bairros do Braz e da Mooca, o Cambuci foi um dos bairros mais atingidos por esta guerra que quase arrasou São Paulo.


MANIFESTAÇÕES ARTÍSTICAS, CULTURAIS E RELIGIOSAS

 

Enquanto ocorriam todas essas manifestações sociais em tal época, o artista plástico ALFREDO VOLPI (1896-1988), com todo seu talento e criatividade, retratou e recriou pela arte o CAMBUCI em suas telas, usando seus pincéis e tintas. Italiano de Lucca, Volpi veio para o Brasil com dois anos para viver no Cambuci, de onde nunca saiu. É considerado um dos maiores artistas brasileiros (pertenceu ao "Grupo Santa Helena"). Sua obra funde cores e formas geométricas, ingênuas e essenciais, ao imaginário popular nacional. Volpi era autodidata, construía as próprias telas. Os quadros de Volpi eram perfumados, porque ele fazia suas tintas usando uma fórmula especialmente elaborada com este objetivo. O artista robusto e de sorriso largo, de enorme simplicidade nas suas atitudes, que nunca soube muito bem lidar com o dinheiro, veio a falecer em São Paulo, aos 92 anos de idade em 1988, deixando um imenso legado cultural e, sobretudo, um legado de solidariedade, pois tinha um desprendimento extraordinário dos seus bens.

 

Não se pode deixar de lembrar também de WALDEMAR SEYSSEL, o eterno e querido palhaço "Arrelia", que tanto contribuiu para a construção do imaginário infantil desse país. Arrelia foi o primeiro palhaço brasileiro com um programa de televisão para crianças, em 1953. Por tanto "arreliar", começou a trabalhar como palhaço em 1922 no bairro do Cambuci. Certo dia, seus irmãos o pintaram, o vestiram de palhaço e o lançaram ao picadeiro. Assustado, o jovem Waldemar caiu de mau jeito, fez trejeitos e caretas. Machucado, levantou-se mancando enquanto o público ria e aplaudia, pensando que estava fazendo graça. O sucesso foi imediato! Assim nasceu o palhaço ARRELIA…

 

Por volta de 1870, foi erguida no bairro a CAPELA NOSSA SENHORA DE LOURDES. Há relatos de que teria sido construída em razão da devoção de Dona Eulália Assumpção e Silva (1834-1894), responsável pelo santuário dedicado a Santa de Lourdes. A igrejinha reproduz com plena fidelidade o cenário da gruta da cidade francesa que tem o nome da santa. Somente em 1895 foi concluída a IGREJA DA GLÓRIA, que se originou da Capela Nossa Senhora de Lourdes; havia antigamente na parte baixa do morro onde o novo templo se ergueu, uma pequena cruz de madeira conhecida popularmente como SANTA CRUZ DO CAMBUCI.

 

A desolação do bairro inspirou o escritor romântico FAGUNDES VARELA, em 1861, a compor o poema "Ruínas da Glória". Na época, a outrora e exuberante CHÁCARA DA GLÓRIA, localizada onde hoje estão as esquinas das ruas Clímaco Barbosa e José Bento, estava em total situação de abandono, com suas construções em total deterioração. Entre essas instalações, havia uma capelinha de NOSSA SENHORA DA GLÓRIA construída por DOM MATEUS DE ABREU PEREIRA (4º bispo de São Paulo) um dos muitos proprietários que passaram pela Chácara da Glória. Quando o bispo morreu - em 1824 - a chácara foi repassada ao governo, mas no "Almanaque da Província de SP de 1857" já citava a tal capelinha como uma igreja "em ruínas".

 

A imagem de NOSSA SENHORA DA GLÓRIA manteve-se muito bem preservada e por isso foi transportada para a atual IGREJA DA GLÓRIA, quando esta foi construída. O Colégio Nossa Senhora da Glória - dos Irmãos Maristas - é enorme destaque tem papel fundamental na formação intelectual, humana e cristã de inúmeros jovens do CAMBUCI em mais de 110 anos de história e tradição em ensino. Colégio tradicional, possui imenso valor cultural para São Paulo.

 

 

Bibliografia (fontes pesquisadas):
>>Banco de Dados da FOLHA - Acervo de Jornais
>>Site da SPTuris - Prefeitura de S. Paulo - "Minha Cidade"
>>Site O Melhor do Bairro+


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